E agora? Congresso Internacional do Setor Literário em Tempos de Agitação Política
2.ª sessão: Teresa Grøtan, Jenny Niven, Ana Gallego Cuiñas, Joana Pinho, Rui Couceiro
Teresa Grøtan, Bergen, Noruega: Liberdade de expressão
Um festival como o Festival Internacional de Literatura de Bergen, situado num recanto pacífico do mundo, tem a obrigação de dar uma plataforma a vozes silenciadas noutros lugares? Dois exemplos da nossa ainda curta história: a presença da poeta saudita Hissa Hilal na primeira edição do festival, em 2019, e da autora palestiniana Adania Shibli, em 2024. O caso de Hilal chegou ao mais alto nível político na Noruega, depois de a autora ter recebido ameaças de diplomatas sauditas no seu hotel em Bergen. Adania Shibli proferiu o seu discurso de aceitação do prémio na abertura do LitFestBergen — o discurso que tinha sido cancelado alguns meses antes, na Feira do Livro de Frankfurt de 2023, devido à guerra em Gaza. Que papel podem desempenhar os festivais literários na defesa da liberdade de expressão — e que dever temos nós? A nossa responsabilidade na Noruega é maior do que noutros países? E o que são «outros países»? Até ao caso Shibli, entendíamos por «outros países» os países fora do Ocidente, mas já não é assim. As ameaças à liberdade de expressão estão cada vez mais presentes em todo o lado, mas, infelizmente, até agora não tivemos problemas no LitFestBergen. Mas até onde podemos ir? E até onde estamos dispostos a ir?
Jenny Niven, Edimburgo, Reino Unido: A arte da reinvenção
Como reinventar uma instituição sem perder aquilo que realmente importa? Três anos a navegar a mudança, a responder a um panorama cultural e financeiro em transformação e a encontrar novas possibilidades, mantendo firme o propósito e a identidade.
Ana Gallego Cuiñas, Granada, Espanha
A controvérsia em torno da retirada de um convite à CULTUR_ALH, em Granada, levantou questões fundamentais sobre a liberdade de expressão e as responsabilidades dos festivais literários. Ana Gallego Cuiñas e Peter Florence debatem as pressões políticas que as instituições culturais enfrentam e as escolhas que os diretores de festivais são cada vez mais obrigados a fazer. Onde devem os festivais traçar a fronteira entre o debate aberto, a responsabilidade política e o boicote cultural?
Joana Pinho, Óbidos, Portugal
O papel público dos festivais literários numa sociedade onde relativamente poucas pessoas leem, partindo da experiência do FOLIO e olhando para o seu futuro. Depois de onze anos, terá o festival conseguido transformar a relação da comunidade com os livros e a literatura? O FOLIO optou por tornar o seu programa de acesso livre, eliminando a barreira económica à participação. Mas será isso suficiente para chegar a públicos que continuam a encarar a literatura como um espaço elitista? Estas questões poderão também conduzir a uma reflexão mais ampla sobre aquilo que deverá ser o FOLIO do futuro e sobre o que um festival literário pode e deve fazer pela comunidade que o rodeia.
Rui Couceiro, Porto, Portugal
O BABELL nasceu com ambição e concretizou-a: logo na sua primeira edição, o evento, promovido pela Fundação Livraria Lello em coprodução com a Câmara Municipal do Porto, reuniu um dos mais impressionantes elencos de autores internacionais, atraiu centenas de milhares de pessoas e destacou-se pela sua abordagem inovadora ao acesso, o que levou à venda de muitos milhares de livros em livrarias de toda a cidade do Porto. Rui Couceiro, curador do evento, partilha os desafios, as dificuldades e as conquistas de um evento que, segundo a France 24 e a ABC, transformou o Porto na «nova capital europeia do livro», enquanto o El Mundo o descreveu como «a capital mundial da literatura».
Moderação: Peter Florence