E agora? Congresso Internacional do Setor Literário em Tempos de Agitação Política

7.ª sessão: Stefan Weidner, Michi Strausfeld, Sandra Tamele, Susi Owusu, Seid Serdarevic, Krista Kaer, Dan Lungu

Stefan Weidner, Colónia, Alemanha: Dar voz à literatura árabe

Como podemos integrar melhor a literatura árabe no mundo literário global em tempos politicamente difíceis? Para além de convidar autores árabes, existem outras formas simples e diretas de colmatar o défice de representação — por exemplo, dando a conhecer clássicos modernos que continuam desconhecidos no Ocidente. Stefan Weidner apresentará algumas propostas e irá discuti-las numa conversa com Samuel Shimon e Nouri al-Jarrah.

Michi Strausfeld, Berlim, Alemanha: Sobre as pontes literárias entre a América Latina e a Europa

Os políticos estabelecem ligações, sobretudo para salvaguardar os seus interesses: os países europeus necessitam urgentemente de recursos materiais e humanos da América Latina, como o lítio, a soja e profissionais de enfermagem, para dar apenas alguns exemplos. Por isso, procuram estabelecer acordos económicos e políticos. Gestores e investidores procuram também tirar partido dessas relações, criando ligações que servem os seus próprios objetivos. No entanto, estas pontes são frequentemente desequilibradas e os parceiros mais fortes impõem as suas regras sempre que podem. A cultura e, em particular, a literatura seguem outras regras. Os intelectuais e os autores têm, na sua maioria, um forte desejo de conhecer o outro, de compreender melhor a sua história, os seus problemas, objetivos e desejos. Os romances e os filmes oferecem uma riqueza de perspetivas e convidam-nos a conversar uns com os outros em pé de igualdade. A literatura latino-americana fascina os leitores europeus desde a década de 1960, dando origem a um verdadeiro intercâmbio. Desde o início do século XXI, porém, esse interesse tem vindo a diminuir e, em alguns países, quase desapareceu. É um grande desafio pensar em novas formas de comunicação e criar novas pontes, pois estas são essenciais para desenvolver uma compreensão nova e contemporânea entre os dois continentes. Na cultura, tudo pode acontecer em condições de igualdade e para benefício mútuo — uma enorme vantagem, particularmente adequada aos tempos que vivemos.

Sandra Tamele e Susi Owusu, Moçambique / Reino Unido

Susi Owusu e Sandra Tamele farão uma apresentação conjunta. Explorarão as pontes literárias através da tradução, numa conversa sobre os 25 anos do Caine Prize e sobre a reaproximação entre a África lusófona e o Caine Prize. Vinte e cinco anos após a sua criação, o Caine Prize for African Writing encontra-se num momento decisivo — não apenas na celebração do conto em língua inglesa, mas também perante a questão de saber como poderá alargar verdadeiramente o seu alcance a um continente de extraordinária diversidade linguística. Esta apresentação aborda a estratégia emergente do Prémio de utilizar a tradução literária como instrumento de ligação dentro do continente africano. O Caine Prize aceita contos que tenham sido traduzidos e publicados em inglês, o que significa que a tradução está já inscrita no seu ADN. A questão agora é saber como inverter e multiplicar esse fluxo — traduzindo os textos vencedores e os textos publicados em antologias para as línguas faladas pelos leitores africanos: desde línguas locais amplamente faladas, como o suaíli e o ioruba, até ao português, ao árabe e ao francês. Susi Owusu apresentará os fundamentos desta estratégia, as parcerias que estão a ser desenvolvidas para a concretizar — incluindo a colaboração com a editora e tradutora moçambicana Sandra Tamele para produzir uma edição em língua portuguesa da antologia anual deste ano, caso o financiamento o permita — e explicará o que significa, na prática, construir pontes literárias a partir da perspetiva de um prémio independente que trabalha com recursos limitados, mas com um alcance significativo. Sandra Tamele refletirá sobre a importância de reaproximar a África lusófona do Caine Prize, 25 anos depois de Lília Momplé e Mia Couto terem integrado a lista de finalistas. Depois de ter traduzido e publicado oito contos do Caine Prize, tanto em formato impresso como em audiolivro, abordará a circulação literária dentro de África, a acessibilidade e os desafios de ultrapassar a barreira linguística entre os PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa) e os países vizinhos — tudo isto a partir da perspetiva de uma pequena editora independente em Moçambique.

Seid Serdarevic, Zagreb, Croácia: O livro como bússola: festivais literários em tempos de incerteza

Participação online

Em tempos de incerteza, a literatura ajuda-nos a compreender mudanças profundas através das vidas individuais, da empatia e da complexidade da experiência humana. Os festivais literários não devem fugir aos desafios que o mundo enfrenta, mas os livros também não devem tornar-se meros pontos de partida para discussões sobre política ou outras questões da atualidade. A tarefa de um festival é manter o texto no centro e criar espaço para conversas ponderadas que aprofundem a nossa compreensão tanto da literatura como do mundo.

Krista Kaer, Tallinn, Estónia: Como criar um festival internacional num país pequeno?

A Estónia é um país pequeno e as suas ligações aéreas são limitadas. O número de títulos traduzidos é também relativamente reduzido. Quando começámos o festival, há 17 anos, procurámos encontrar formas de trazer convidados internacionais a Tallinn e, ao mesmo tempo, criar um público para eles. Não existia uma tradição de festivais literários. Falarei sobre a forma como conseguimos fazê-lo.

Dan Lungu, Iași, Roménia: Festivalul Apolodor – Histórias da infância para crianças, jovens e adultos

Moderação: Teresa Grøtan

Língua: Inglês